quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Depressão - O Mal do Século



A depressão representa uma das doenças mais comuns da era moderna, mas é conhecida desde a antiguidade. É um mal que acomete homens, mulheres e crianças, de todas as etnias e classes sociais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que nos próximos 20 anos, o problema da depressão sairá do quarto para o segundo lugar no ranking de doenças dispendiosas e fatais, ficando atrás apenas das enfermidades do coração. Dados recentes dão conta de que mais de 400 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão, que o risco de um homem sofrer da doença é de 11%, enquanto que o da mulher pode chegar a 18,6%, que a falta ou o excesso de sono afeta 90% dos pacientes com o problema, que indivíduos acima dos 65 anos representam 10% a 15% da população com algum tipo de depressão, que 37% das pessoas com a doença sofrem de problemas sexuais. Estima-se, ainda, que 80% dos deprimidos apresentam sintomas como ansiedade ou agitação e aproximadamente 20% da população passará por pelo menos um episódio de depressão ao longo da vida. Sabe-se também que, p ara cada homem, duas mulheres sofrem do mal e que 40% a 60% dos casos de suicídio têm estreita relação com a doença, que tem início, normalmente, entre 15 e 24 anos.

Entendendo a doença - Por um longo período na História humana a depressão não era considerada uma doença, mas uma alteração do caráter e da força de vontade, ou seja, uma reação psicológica de pessoas fracas e incapazes de resolver seus próprios problemas. Porém, sabe-se hoje, que é uma doença séria e incapacitante, mas que tem tratamento e cura na grande maioria dos casos. A depressão pode ser definida como um distúrbio do humor, com duração maior do que duas semanas, causado pela deficiência de determinadas substâncias (serotonina, noradrenalina e dopamina) no cérebro. Pode afetar homens e mulheres em qualquer fase da vida, e nem sempre está associada a um fator desencadeante grave. É mais freqüente em adultos jovens e em indivíduos com antecedentes familiares de depressão. Na realidade atual de envelhecimento populacional, passa a ser uma doença muito importante também na terceira idade. O deprimido mostra-se uma pessoa angustiada, desanimada, sente-se sem energia e com uma tristeza profunda, às vezes acompanhada de tédio e indiferença. Quando os sentimentos são muitos e confusos, o indivíduo pode ter a impressão de que não tem sentimentos. As atividades normais do dia-a-dia passam a não ter mais importância e a pessoa passa a encarar até as tarefas mais simples como se fossem um grande esforço. A vida perde a cor e a pessoa perde o interesse por tudo, inclusive por seus passatempos preferidos, amigos e até o sexo. Há mudança do apetite (que pode aumentar ou diminuir), alterações do sono (sendo mais comum a insônia). Geralmente a pessoa deprimida prefere ficar isolada. Assim, a doença interfere no trabalho e a na vida da pessoa, podendo mudar até a maneira como o indivíduo pensa e/ou age. Do ponto de vista orgânico, a doença se manifesta quando há uma alteração na comunicação entre as células cerebrais, os neurônios, causando um desequilíbrio químico-fisiológico. Tal comunicação é realizada por substâncias chamadas neurotransmissores. Há, pelo menos duas outras substâncias importantes nos sintomas da doença, a serotonina e a noradrenalina.

Causas e diagnóstico- Na doença depressiva nem sempre é possível descobrir quais acontecimentos levaram ao seu desenvolvimento. Na maioria das vezes, apresenta múltiplas causas, que interagem umas com as outras levando à sua apresentação clínica. Acredita-se que haja uma base hereditária, já que pessoas com história familiar de depressão apresentam maiores chances de desenvolver a doença. Associados a isso, existem outros fatores: acontecimentos na vida que levam a grande entristecimento, morte na família, crise e separação matrimonial, menopausa, parto, estresse, problemas sociais como desemprego, solidão, etc. Por outro lado, a depressão pode ter causas apenas endógenas. É como se tudo levasse à alegria, mas mesmo assim, o indivíduo permanece triste. Os critérios para o diagnóstico da depressão baseiam-se principalmente na intensidade e duração dos sintomas como os sentimentos de inutilidade, desamparo ou falta de esperança, humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade, mudança nos hábitos como dormir, comer ou dificuldade em concentrar-se ou em tomar decisões, sentimentos exagerados de culpa, tristeza ou mágoa, pensamentos de morte e suicídio. A depressão pode manifestar-se também por sintomas físicos, como dores de estômago, dores de cabeça, dores pelo corpo e nas costas, pressão no peito, entre outros.

Tratamento- Estudiosos recomendam que a depressão deve ser tratada com medicamentos e psicoterapia. Segundo eles, os antidepressivos não causam dependência e agem através da reposição da substância que está em falta no cérebro. Informam que no início, o efeito dos antidepressivos é demorado e o tratamento dura de 4 a 6 meses, às vezes mais. Os efeitos colaterais geralmente são bem tolerados, especialmente nos novos medicamentos disponíveis no mercado. A pessoa deprimida, geralmente é muito sensível, precisa de ajuda, apoio, oportunidade para falar sobre seus sentimentos, carece de simpatia e compreensão. Coisas pouco disponíveis na realidade de nossos dias, notadamente individualista. Contudo, a Bíblia, a Palavra de Deus, narra no Antigo Testamento o episódio da depressão presente na vida de um salmista de Israel, que encontrou um tratamento espiritual eficaz para a doença que o acometia : “Elevo os meus olhos para os montes; de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra”. (Salmo 121.1-2.). Muitos anos depois, já à época do Novo Testamento, aparece novamente o mesmo remédio, prescrito para os que sofrem com a depressão, na forma de um convite do próprio Jesus Cristo, descrito por Mateus 11. 28-29 : “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas”.

Por Carmelita Graciana
fonte: Primeira Igreja Batista em Goiânia - Go
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